O culto carioca a Iemanjá

Presente no calendário das festas religiosas da Cidade do Rio de Janeiro em dois momentos distintos do ano, as festas em que Iemanjá é homenageada ganham também diferentes sentidos. Se a festa que ocorre junto a virada de ano na Praia de Copacabana reflete um rito de passagem, a que ocorre no dia dois de fevereiro, objeto desse ensaio fotográfico, é puro agrado à rainha do mar. A diferença é que, enquanto no primeiro caso se está focado na virada de ano e nas inúmeras novas possibilidades, o dia dois de fevereiro é um momento de presentear a rainha do mar. É um cortejo que tem como um dos pontos de encontro a Cinelândia, Centro da cidade, local de grande importância econômica, cultural, jurídica e política. De lá os devotos seguem em cortejo até a Praça XV, onde utilizam as barcas e deixam seus presentes rumo na Baía de Guanabara.

Este dia tem uma peculiaridade: quando é dia da semana, os serviços e lojas funcionam. Por isso o festejo ganha uma importância singular, pois além de contar com o grande número de pessoas que vão com motivações religiosas para participar do evento e homenagear Iemanjá, somam-se transeuntes que circulam pela região diariamente e aproveitam a ocasião para deixar um presente a ser entregue. Flores, bilhetes, água de cheiro, bijuterias, fazem parte desses balaios. Percussão, cânticos, dança e festas, são expressões da homenagem. O conjunto de fotografias pretende mostrar esse momento de devoção.

Ana Paula Alves Ribeiro e  Cristiano Cardoso

 

Fotografias: Cristiano Cardoso,  Zaíra Bosco e Ana Paula Alves Ribeiro.

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O presente ensaio foi aprovado e apresentado na IX Reunião de Antropologia do Mercosul, realizada em Curitiba em 2011 e foi doado para compor o acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia/PPGAS/Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná. A doação implicou a cessão às instituições mencionadas do direito de reprodução digital do trabalho, no todo ou em parte, devidamente credenciado, com fins exclusivamente acadêmicos e culturais.