Na proteção e de ronda: a fé em São Jorge e a fé em Ogum


“Na proteção e de ronda: a fé em São Jorge e a fé em Ogum” é uma exposição coletiva sobre a Festa de São Jorge no Rio de Janeiro, com foco na última década, para marcar sua importância e presença nas ruas da Cidade, desenvolvida no âmbito do Museu Afrodigital Rio de Janeiro, uma ocupação São Jorge que se inicia em abril e seguirá recebendo contribuições ao longo de 2020. As ruas diminuíram seus fluxos, não estamos necessariamente nelas, mas São Jorge e Ogum estão de ronda, estão em alerta, seguem cuidando. Nosso foco nesta exposição é a participação negra na festa, onde ressaltamos a importância dos espaços negros, como escolas de samba e terreiros, na cidade do Rio, e sua região metropolitana, assim como as fronteiras entre catolicismo popular e cultura afro-brasileira, sobre os diálogos e afastamentos entre São Jorge e o orixá Ogum.

23 de abril e os movimentos são os mesmos: a Alvorada, ida a alguma igreja de São Jorge, assistir as missas, participar de atividades em escolas de samba e terreiros, uma boa roda de samba, comer feijoada e beber cerveja, encontrar amigas e amigos. Para algumas e alguns inclui acender velas, participar das procissões, cavalgadas e carreatas que são realizadas em muitos lugares em devoção ao santo guerreiro. Nestes movimentos também nos encontramos, algumas vezes portando nossas câmeras, no intuito de registrar o feriado na cidade do Rio de Janeiro, a festa, a devoção, as cores e fazer parte daquele momento.

Nas redes sociais encontramos uma extensão das festas e das homenagens, com músicas, relatos, memórias, fotografias, que vão demonstrando a popularidade de São Jorge, assim como de Ogum.

Neste momento em que o isolamento social e o combate ao COVID-19, tiram muitas e muitos de nós da rua, temporariamente, e em um momento em que a ausência de aglomerações é recomendada, falar da festa, da religiosidade, da suspensão de alguns rituais e das cidades se faz necessário. De demandas, guerras, lutas e batalhas, São Jorge e Ogum entendem e nos cuidam para que atravessemos os perigos e encontrarmos tempos de maior paz ou serenidade.

A exposição seguirá até dezembro de 2020 e em abril recebemos as séries fotográficas ‘Da presença de São Jorge nas Cidades’, de Aparecida Silva; ‘Fechados com as armas de Jorge’, de Bárbara Copque; ‘Caminho de Azul Rei’, de Diogo Nunes; ‘Vermelho 23 de Abril’, de Isaac Ramos e ‘Santo Orixá Cristão Guerreiro’, de Tetê Silva. Da Festa no entorno das igrejas de Quintino, zona Norte do Rio, e do Centro, passando pelo zelo com uma praça homônima de São Jorge, em Sulacap, percebemos a fé na participação das missas, nas bênçãos e passes, nas roupas, nas cores, nos corpos – são brincos, pulseiras, anéis, longos cordões com a medalha de São Jorge. A fé se apresenta em detalhes, na sociabilidade trazida pela festa, na musicalidade e nas trocas, no encanto dos primeiros e recorrentes encontros com São Jorge, com Ogum. As fotografias apresentadas são registros de diversos momentos da festa, na década de 2010.

Exposição:
Na proteção e de ronda: 
a fé em São Jorge e a fé em Ogum

Sobre o Projeto:

Esta exposição é também fruto de um projeto de extensão desenvolvido no âmbito do Museu Afrodigital Rio de Janeiro, Festas populares de matriz africana no Rio de Janeiro: Samba, Carnaval, Iemanjá, São Jorge, entre outros festivais. Este projeto tem como objetivo realizar uma pesquisa etnográfica visual sobre os festivais fluminenses, especialmente os cariocas, onde notadamente observamos a presença dos negros nos gêneros musicais, na dança, nas organizações, em traços que compõem a cultura negra local. Podemos acompanhar tanto as rodas de samba que ocorrem na cidade, e eventos que fazem parte do calendário da cidade. Com relação ao carnaval e suas agremiações. Esse festival se consolidou como uma festa nacional onde a matriz africana é visível em suas organizações tais como: ranchos, blocos, escolas de samba. Nosso foco volta-se então para o carnaval show, dos grupos especiais que desfilam no Sambódromo, passando pelos desfiles de acesso popular que ocorrem na Intendente Magalhães, até o carnaval de rua, seus blocos e ranchos, cada vez maiores e mais populares na cidade do Rio de Janeiro. Uma recorrência no samba e no carnaval são os temas e as músicas voltadas às religiosidades africanas e afro-brasileiras. O hibridismo presente na cultura popular e as relações entre o sagrado e o profano nas manifestações de matriz africana estão presentes nestas festas. Os cultos a São Jorge e a Ogum, santo e orixá de devoção de diversos sambista e escolas de samba, que faz do mês de abril um período de festas comemoradas em toda cidade e do dia 23, feriado municipal no Rio de Janeiro, onde ocorrem alvoradas, carreatas, procissões e cavalgadas. As festas para São Jorge, o santo guerreiro, e Ogum, o deus da guerra, envolve então os espaços sagrados e profanos da cidade, são exemplos disso.

Curadoria
Ana Paula Alves Ribeiro
Maria Alice Rezende Gonçalves

Fotógrafas(os):
Aparecida Silva
Barbara Copque
Diogo Nunes
Isaac Ramos
Tete Silva


FICHA TÉCNICA:

Equipe Museu Afrodigital Rio de Janeiro

Curadoria
Ana Paula Alves Ribeiro
Maria Alice Rezende Gonçalves

Produção da exposição
Wallace Augusto dos Santos da Silva (Bolsista Proatec)

Conselho Curador e de Redação:
Ana Paula Pereira da Gama Alves Ribeiro (FEBF/UERJ) – Coordenadora
Gabriel da Silva Vidal Cid (PPCIS/UERJ)
Maria Alice Rezende Gonçalves (EDU/UERJ)
Mauricio Barros de Castro (ART/UERJ)
Myrian Sepúlveda dos Santos (ICS/UERJ)
Equipe Decult

Direção
Adair Rocha

Comunicação
Rosane Fernandez e Carolina Jacuá (Relações Públicas)
Karoline Lima, Luane Teixeira e Daniela Gregório (bolsistas)

Programação Visual
Ana Cristina Machado

Revisão
Jéssica Pessoa (bolsista)