Mandingueiros

Fotografias: Edu Monteiro
Curadoria: Maurício Barros de Castro

Apresentação:

Quem não pode com mandinga

Não carrega patuá, Iaiá

Mandinga, na capoeira,corresponde a um ato mágico, um ilusionismo que o corpo é capaz de realizar. Não é à toa que os mestres de capoeira angola são chamados de mandingueiros. Na Bahia, esta mistura de dança e luta tomou uma forma lúdica que influenciou o resto do Brasil. Cercados pelas armadilhas das encruzilhadas e pela magia dos candomblés, protegidos por patuás e armados com navalhas, os antigos capoeiras, de Salvador ao Recôncavo, se tornaram figuras míticas, como o lendário Besouro Cordão de Ouro.

Mandinga também é o nome de um grupo étnico do reino de Máli que possuía poderosos feiticeiros. Também chamados de malinquês, os mandingas se converteram ao islamismo no século XIII. Os capoeiristas se apropriaram do nome, mas ele surgiuno Brasil através de um costume disseminado pelos escravos na colônia: o de usar amuletos protetores conhecidos como “bolsas de mandinga”. Também chamadas de patuás, as bolsas eram utilizadas pelos capoeiras de antigamente para “fechar o corpo” dos perigos do mundo.

A herança dos mestres mandingueiros sobrevive nas rodas de capoeira atuais, como a que acontece mensalmente em Santa Teresa – bairro histórico do Rio de Janeiro – realizada pelo Grupo de Capoeira Angola N´golo, coordenado por Mestre José Carlos.

As fotografias de Eduardo Monteiro, presentes na exposição “Mandingueiros”, captam os momentos mágicos dessas rodas, em que o capoeirista – com seus gestos, preces, cânticos e movimentos acrobáticos – transita entre o mundo do sagrado e do profano.

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