São Jorge Guerreiro (2012) – Por Ana Paula Alves Ribeiro e Cristiano Cardoso

Dia 23 de abril, feriado no município do Rio de Janeiro. Entre quatro e cinco horas da manhã inicia-se uma festa que, em alguns bairros do subúrbio, duram a semana inteira. Diversas igrejas amanhecem lotadas de fiéis, como é o caso da Igreja de São Jorge, que fica no Centro da Cidade do Rio de Janeiro. No seu entorno pessoas vestidas de vermelho e branco, esperam para saudar seu santo de fé, São Jorge. Este santo, que agrega devoção dos católicos e dos praticantes das religiões afro-brasileiras, é comemorado por fiéis em missas, bênçãos campais, carreatas, procissões, festas e shows. Se na fé católica é São Jorge, sincretizado São Jorge vira Ogum, orixá guerreiro.

Este ensaio teve início no interesse individual dos dois pesquisadores, que posteriormente se reuniram para uma pesquisa mais abrangente. Se São Jorge não era nosso tema de estudo principal em um primeiro momento, rapidamente se tornou o objeto fotográfico de nossa devoção. Observar como as pessoas se relacionam com o santo, com sua religiosidade e com todo um mercado de produtos que vão das velas e fitas de pulso às flores, santos e camisetas estilizadas, incluindo as festas, rodas de samba e shows em homenagem a São Jorge – Ogum, tem sido muito enriquecedor.

É na tentativa de compreender a fé, que apresentamos estas oito fotos, uma pequena amostra de como esta festa entrou no calendário do Rio de Janeiro e nos encontrou como tema de pesquisa. Acima de tudo é uma tentativa de compreender como São Jorge é é protetor, popular, musical e poético, mas acima de tudo, é carioca.

O presente ensaio foi submetido para a IX Reunião de Antropologia do Mercosul, realizada em Curitiba em 2011 e foi doado para compor o acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia/PPGAS/Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná. A doação implicou a cessão às instituições mencionadas do direito de reprodução digital do trabalho, no todo ou em parte, devidamente credenciado, com fins exclusivamente acadêmicos e culturais.