Com a proteção de Jorge, por Ana Paula Campos

Este ensaio propõe trazer à tona o cenário das festas religiosas em comemoração à figura do santo São Jorge, que aconteceram no feriado de 23 de abril de 2017 e 2018 na cidade do Rio de Janeiro. O culto ao santo, de grande expressão no espaço público, tem ganhado mais visibilidade após a instituição do feriado de São Jorge (2001 a 2010) no município e no estado (2008-). São Jorge é o santo patrono da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do estado e extraoficialmente é considerado por muitos como o padroeiro da cidade, a pesar de ser São Sebastião. A figura de São Jorge é representada como um santo protetor e guerreiro e é sincretizado como Ogum, orixá cultuado em religiões afro-brasileiras, onde é conhecido como o orixá do ferro, da guerra e dos armamentos, como um “herói que luta a favor de seus filhos” (MACHADO, 2009). Quem se diz de Ogum se associa à imagem de um santo guerreiro, vencedor de demandas, à bravura, à luta, se junta a imagem de um corpo fechado, imune aos ataques do mal (BIRMAN, 1985).

Os eventos organizados em torno dessa figura, nesse dia, reúnem milhares de pessoas nas ruas, praças, quadras de samba, igrejas, terreiros e centros culturais da cidade. Além de eventos como alvoradas, carreatas, festas, shows e o comércio em torno da imagem do santo, há missas e procissões que costumam reunir até 500 mil pessoas[1]. Este ensaio foi realizado na zona norte, zona oeste e centro da cidade. Ao cultuarem o santo muitos buscam a proteção religiosa em inúmeros âmbitos da vida como a proteção contra inimigos, a proteção para si, para a casa, para o trabalho, etc. A figura do santo geralmente é associada à luta, à bravura, às vitórias diante do mal. Nesse sentido, este ensaio pretende dar visibilidade a agência de pessoas e coisas nesse dia, por onde se pode compreender os diferentes sentidos, valores e crenças relacionados ao ato de sobreviver na cidade através da busca por proteção, seja em figuras religiosas (mãe de santo, padres etc), em figuras seculares (policial, miliciano, militar etc) ou na associação dessas figuras (São Jorge e Ogum). 


[1]“Apesar da chuva, milhares de fiéis homenageiam São Jorge no Rio de Janeiro”, Agência Brasil. Disponível em: . Acesso em: 07 jun. 2018.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BIRMAN, Patrícia. O que é umbanda. São Paulo: Abril Cultural: Brasiliense, 1985.

MACHADO, Maria Augusta. São Jorge: arquetipo, santo e orixá. 2. ed. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2009.                         

Me chamo Ana Paula de Souza Campos e sou educadora popular, cientista social, poetisa e artista multimídia.

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