Quadra: atividades coletivas

O Instituto de Aplicação da UERJ é um colégio situado em um prédio que não foi construído para ser uma escola. Por este motivo, sua estrutura adaptada não conta com muitos espaços de convivência. Isto é sentido tanto no dia a dia de estudantes e trabalhadores como também em grandes eventos, como o da Semana da Consciência Negra. Tal fato faz com que atividades de maior porte tomem lugar na quadra, único espaço que comporta uma quantidade maior de pessoas.  

Assim, a quadra foi o lugar que recebeu nossas atividades coletivas, voltadas para o público em geral, o que incluiu tanto as mesas de abertura e encerramento do evento como as atividades artísticas de apresentação musical. As fotos desta galeria retratam estes momentos. 

A abertura do evento ocorreu com a mesa As muitas facetas de Lélia, com a intenção de apresentar aos presentes diferentes aspectos da vida e do trabalho da homenageada Lélia Gonzalez. Esta teve início com as falas institucionais da vice-diretora do Instituto, Maria Ignez David, e do chefe do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF), Guilherme Nogueira de Souza. É importante destacar o papel institucional na realização do evento, uma vez que esta iniciativa tem como um de seus objetivos contribuir para a construção de uma tradição no colégio, de forma que o evento se consolide no calendário escolar, independente dos atores envolvidos. Neste sentido, a atuação dos colegas que ocupam cargos de gestão, especialmente do chefe de departamento, foi fundamental para que o evento acontecesse no formato como idealizamos.  

A mesa ainda contou com a colaboração da pesquisadora Letícia Alves e do fotógrafo Januário Garcia. Letícia é militante e educadora feminista antirracista, mestra em Estudos das Mulheres e Gênero na Universidade de Bologna/Universidade de Oviedo, onde estudou a obra de Lélia Gonzalez como parte de sua pesquisa, contribuições que trouxe para sua fala. Já Januário é militante histórico do movimento negro, onde foi companheiro de Lélia, mas também amigo e vizinho da homenageada. Ainda, foi responsável pelo registro fotográfico de momentos importantes da luta antirracista e de grandes lideranças do movimento, tendo sido também presidente do IPCN. Sua experiência de longa data e sua relação de proximidade com Lélia se manifestaram em uma fala potente e generosa, trazendo questionamentos e reflexões importantes que foram atentamente acompanhados por todos que assistiram, principalmente pelos estudantes presentes. 

Após este momento inicial, os participantes foram convidados a circularem pelos espaços da escola e a visitarem as atividades que estavam ocorrendo nas salas e no pátio, retratadas em galerias anteriores. O retorno coletivo à quadra se deu posteriormente, a partir do cortejo realizado pela Folia de Reis Mirim, que foi descendo as escadas do bloco A, tocando e cantando e levando os visitantes de volta ao espaço comum para a sua apresentação. Foi um momento de muito envolvimento e intensidade e, em função disso, optamos por retratá-lo em uma galeria própria, que se encontra a seguir. 

No entanto, a Folia de Reis Mirim não foi a única parceria musical que pudemos contar. Na sequência de sua intervenção assistimos a apresentação de Ah!Banda: grupo musical, prata da casa, que consiste em projeto de extensão da UERJ, formado por alunos e alunas do colégio, atuais e egressos, assim como também por estudantes de graduação. Ah! Banda é presença confirmada nos eventos do CAp e na Semana da Consciência Negra não poderia ser diferente. Brindaram a todos com versões de músicas afro-brasileiras, fruto de trabalho de pesquisa do projeto. 

Dando continuidade tivemos a roda do GeoSamba, grupo oriundo do curso de Geografia da UERJ, hoje composto por professores e geógrafos que associam o ritmo carioca ao entendimento sobre a distribuição espacial e social da cidade do Rio de Janeiro, buscando fazer um resgate histórico e musical de um dos ritmos mais tocados nos bairros boêmios da cidade: o samba. Assim como Ah!Banda, o GeoSamba também possui uma relação especial com o CAp, pois muitos de seus componentes foram estagiários no instituto como parte de sua formação para se tornarem professores. A apresentação do grupo envolveu os presentes, levando estudantes do CAp a entrarem na roda e as crianças a caírem no samba. 

O encerramento do evento ainda contou com uma forte e importante intervenção dos CAPRETOS, o coletivo negro do CAp-UERJ. O movimento nasceu em 2017 de uma iniciativa de estudantes do CAp-UFRJ mas apenas em 2019 se consolidou no CAp-UERJ. O coletivo busca promover, através de suas atividades, a integração entre estudantes negros e negras a fim de debater pautas relevantes para o movimento negro, como saúde mental, autoestima, conquistas e desafios de jovens negros e negras. A participação do CAPRETOS no evento da Semana da Consciência Negra foi muito especial para a comunidade capiana pois foi a primeira vez que o grupo se apresentou oficialmente como coletivo consolidado. A força e a paixão que estes jovens demonstraram em suas falas representa o motivo pelo qual acreditamos e investimos em uma educação afrobrasileira, pluriversal e antirracista.