Bloco B: as crianças/os anos iniciais

O bloco B concentra, em sua maioria, as turmas do ensino fundamental I, também chamado de anos iniciais. São alunas e alunos do 1º ao 5º ano de escolaridade, em média entre 5 e 11 anos de idade. Neste segmento escolar a organização da grade curricular se diferencia do fundamental II e, por sua vez, também do ensino médio. Conforme os/as estudantes vão avançando no percurso escolar, a quantidade de disciplinas vai aumentando.

Assim, por possuir uma dinâmica própria, os anos iniciais são atendidos pelo Departamento de Ensino Fundamental (DEF) e pelo Departamento de Educação Física e Artes (DEFA). As disciplinas do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF) só entram na grade curricular a partir do ensino fundamental II. Todavia, o fato de não estarem presentes enquanto disciplina não significa que os conteúdos relativos às ciências humanas não estejam presentes. Apenas são abordados de acordo com outra lógica pedagógica.

Por este motivo, o envolvimento deste segmento da escola com o evento foi diferente daquele relatado na galeria do bloco A. Pelo fato das turmas não serem acompanhadas pelas disciplinas do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia estes estudantes não participaram das atividades ao longo do trimestre, no dia-a-dia da sala de aula, construindo trabalhos que seriam apresentados no sábado letivo. Mas nem por isso sua participação foi menor.

Segundo a professora Maíra Oliveira, do Departamento de Ensino Fundamental (DEF), que esteve presente no dia e ressaltou o envolvimento e a alegria das crianças no evento, o quanto antes as/os estudantes entrarem em contato com temas como racismo, machismo, homofobia, maior é a receptividade a esses assuntos. De acordo com Maíra, as crianças pequenas têm um “filtro” diferente dos mais velhos e dos adultos, seus pudores e vergonhas ainda não foram completamente formados. Por este motivo, as questões aparecem com mais facilidade e mais diretamente nas conversas em sala de aula. O fato de os/as estudantes permanecerem dois ou três anos com o/a mesmo/a professor/a também contribui para que eles se sintam mais à vontade.

Para o professor Luís Paulo Borges, do Departamento de Ensino Fundamental (DEF), o trabalho realizado neste segmento de escolaridade apresenta uma estrutura consolidada em quatro pontos principais: a organização em roda, a valorização da voz das crianças, o papel da literatura negra e indígena e a apresentação de personagens afro-brasileiros. A roda, enquanto forma de organização dos estudantes em suas atividades cotidianas, representa o resgate de um valor civilizatório afro-brasileiro e permite que a voz das crianças seja ressaltada na comunicação em grupo. Por sua vez, através da literatura e dos personagens, as crianças vão conhecendo a(s) história(s) e se sentindo pertencentes.

Nas fotos dessa galeria vemos retratos das crianças, estudantes e visitantes, em suas interações com o evento. Vemos a participação dessas crianças em algumas atividades realizadas, envolvendo música, dança, artes, jogos e contação de histórias; o diálogo entre os diferentes anos e segmentos de escolaridade, representado pelo contato entre o bloco A e o bloco B; o momento do lanche na escada; e, principalmente, vemos os sentimentos transparecendo nos semblantes das crianças. Os rostos das crianças, assim como suas falas, deixaram aflorar o que elas sentiram nesse dia, e são testemunhos da sensação de pertencimento que estas tiveram com o espaço escolar. Feito para e por elas, e onde elas se sentem representadas.