Pátio: parceiras expositoras

No pátio, localizado entre o bloco A, onde as turmas apresentaram seus trabalhos, e a quadra, onde ocorreram as atividades coletivas de maior porte, foi instalada a feira de pequenas produtoras independentes. Entendemos que o evento da Consciência Negra, como parte integrante da universidade, deveria possuir um caráter extensionista e dialogar com a comunidade externa. No entanto, mais do que possibilitar uma interação entre estudantes e familiares com trabalhadoras negras, para nós, convidar as parceiras para exporem seus produtos é, também, uma forma de ativismo em prol da economia preta. Segundo pesquisa do Sebrae, 51% dos empreendedores no Brasil são mulheres negras, justamente a parcela da população em situação de maior vulnerabilidade social. Por este motivo, buscando promover mudanças de pensamento e incentivar ações antirracistas de transformação da sociedade, contar com trabalhadoras negras apresentando seu trabalho e vendendo seus produtos se tornou imperativo. Esta galeria mostra um pouquinho das nossas parceiras de arte, alimentação, cultura e artesanato que contribuíram com nosso evento.

Contamos com a parceria do projeto Pretitude Territorial – Pequena África, iniciativa de cinco mulheres pretas, atualmente organizado por Miriam Generoso, Rita Montezuma e Denise Gama, com o objetivo de incentivar a economia preta. A ação delas consiste em difundir a criatividade produtiva de moda, gastronomia, literatura, entre outros produtos diversificados, e criar uma rede de apoio e circulação para produtoras e produtores pretos da Pequena África (RJ) e adjacências, território historicamente relacionado aos povos de matriz africana, onde a dor deu lugar a (r)existências, resistências e criações e, porque não dizer, também às festas e alegrias, como formas de superação de desigualdades e combate ao racismo. Nas fotos vemos as parceiras Norma Sueli (Xapanã Moda Afro); Miriam Generoso (O Coser da Nêga); Célia Cris Carvalho (Ateliê Afro Oyá Design); Gaby Mais (Livraria Ambulante Timbuktu) e Luciana Rodrigues (Delícias trufadas da Lu) sob a coordenação de Rita Montezuma e Miriam Generoso.

Também tivemos o prazer da colaboração de Latifah Hassan, nigeriana que se encontra em situação de refúgio no Rio de Janeiro desde 2016, trabalhando com venda e encomendas de comidas de seu país de origem. Começou com esfirras e hoje atua em diversos eventos pela cidade, expondo quitutes com o tempero africano. Latifah representa a resistência e sensibilidade negra africana na contemporaneidade e sua presença compôs um cenário marcado por cores, cheiros e sabores, um verdadeiro convite aos sentidos de quem passava. O encontro com Latifah se mantém na memória afetiva daqueles que vivenciaram o dia.

Aqui nesta galeria ainda estão representadas duas artistas e parceiras negras que nos brindaram com seus trabalhos artísticos. Apesar de não terem se apresentado no corredor, optamos por incluí-las neste espaço por entendermos que a natureza de suas atividades está inserida no quadro maior das parcerias de mulheres, trabalhadoras, negras, que contribuíram com suas artes para tornarem nosso evento mais diverso, ancestral e colorido.

Tatiana Henrique, atriz e contadora de histórias, trouxe seu trabalho, Contos de Ori, onde conduziu os pequenos ouvintes a uma viagem nas perguntas: “Como o mundo foi criado?; Como surgiu o ser humano?; Por que precisamos ouvir histórias?”. Pela contação Tatiana busca construir respostas através dos mitos iorubano-brasileiros, em uma cosmovisão repleta de deidades que dançam, cantam e brincam com os seres humanos e com o universo. A atividade demonstrou como a contação de histórias pode ser uma ferramenta eficiente para se trabalhar assuntos de maior complexidade com crianças, sendo também um potente instrumento de valorização da ancestralidade africana de maneira lúdica, poética e divertida.

As especialistas Erica Lima e Edna Santos conduziram a ação chamada Afroembelezar: oficina de tranças e turbantes, na qual as/os participantes puderam experimentar na prática os coloridos penteados de origem africana, bem como aprender as formas de utilização dos turbantes. Tudo isso tendo ainda a oportunidade de conversar com elas enquanto se embelezam, aprendendo a história e de onde vieram cada uma das técnicas utilizadas. As fotos presentes nessa galeria demonstram a preocupação que essas atividades tiveram em valorizar a autoestima da população negra a partir das referências estéticas africanas e afro-brasileiras.