Grafite

A memória social, suas narrativas, marcadores e símbolos são elementos centrais para a construção da identidade de grupos e instituições. A celebração dos feitos de ontem se atualizam na construção do senso de pertencimento no hoje. No entanto, a memória coletiva, numa sociedade estruturalmente desigual, também tende a reproduzir estas desigualdades, ocultando feitos de grupos subalternizados. Ao escolher Lélia Gonzalez como homenageada da 1ª Semana da Consciência Negra do CAp-UERJ, a comissão organizadora do evento se posicionou na disputa pelas narrativas da memória institucional e da formação das identidades sociais. Tendo sido aluna da UERJ, ainda nos tempos da antiga UEG, e tendo atuado como professora do CAp, era central fazer emergir essa referência e contribuir para atualização da identidade institucional e, especialmente, para a construção da imagem de si de estudantes negras e negros de nossa universidade e de nosso colégio. Rememorar Lélia Gonzalez significava reconhecer a centralidade do seu trabalho intelectual e político para o debate das relações raciais e de gênero no Brasil, significava também apresentar uma referência importante de liderança negra para nossas/os estudantes.  

Para tal, entendendo que a memória se atualiza nos marcadores temporais e simbólicos, optamos por celebrar a memória de Lélia por meio da arte. O vídeo em formato time-lapse desta galeria acompanha o processo de produção artística. Para tal empreitada, contamos com o talento engajado de Lu Brasil e Carla Felizardo. Mulheres, negras e artistas, Lu Brasil e Carla Felizardo integram o Voz Urbana, coletivo de artistas e ativistas da Baixada Fluminense que atua nas áreas da comunicação inclusiva, educação e cultura da periferia. O grupo nasceu nos corredores da UERJ, especificamente na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), e atua com mídias digitais em colaboração com outros artistas e coletivos mídia-ativismo. As artistas também compõem o Amo Crew, um “coletivo de graffiti formado por e para mulheres negras e periféricas”.  

O vídeo desta galeria é o registro da obra de arte em processo. Nele é possível acompanhar a construção de um marcador de memória em celebração à Lélia Gonzalez na parede daquela que foi uma das primeiras instituições na qual a homenageada atuou como docente.