Feira das Yabas: pequenos pensamentos

Mia Couto, no livro, “em Terra Sonâmbola”, diz:

 

“Se um dia me arriscar, hei de levar comigo a estrada que não me deixa sair de mim”. Madureira é um bairro que possui várias entradas. Eis-me na Estrada do Portela, por onde corre um rio que passa em minha vida… Nela fui sequestrada fotograficamente pela feira das Yabás, que reune na Praça Paulo Portela – espeço simbólico que guarda a sede da Velha Guarda da Portela – 16 barracas de comidas típicas do subúrbio do Rio e culinária afro-brasileira, todas servidas pelas Yabás. O termo Yabás refere-se ao Yorubá, dialeto africano que, traduzida, significa, “mãe”, “senhora”, “aquela que alimenta seus filhos”. Na religião de origem africana, as Yabás são orixas femininos, representados por Nanã, Iansã, Oxum, Obá e, Yemanjá, entre outras. A Feira das Yabás é um evento que compartilha desta referência feminina como uma homenagem ás matriarcas de Madureira – mulheres tradicionais da comunidade que têm uma estreita relação com o samba, as “Tias do Samba”.

No fotografar, fui tomada pelos detalhes dos que frequentam e do próprio lugar. Detalhes que trazem muitas significações e se transformaram em pequenos pensamentos afetivos sobre os “laços e sentimentos de pertença”, destacados por Michel Maffesoli, e que demonstram a emoção pela apropriação do lugar. Na feira das Yabás tudo é em família, tudo é como num almoço de domingo.

 

Por Bárbara Copque.


 


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